sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Jesus Liberta...: Não Podemos Tocar no Ungido do Senhor...?

Jesus Liberta...: Não Podemos Tocar no Ungido do Senhor...?: Não podemos “tocar” no ungido do Senhor? Essa tem sido uma frase utilizada constantemente por algumas pessoas do meio evangélico, e em m...

Não Podemos Tocar no Ungido do Senhor...?

Não podemos “tocar” no ungido do Senhor?A imagem pode conter: 1 pessoa, meme e texto
Essa tem sido uma frase utilizada constantemente por algumas pessoas do meio evangélico, e em muitos dos casos, acaba soando até com um tom de ameaça, dando a impressão (e às vezes até afirmando), de que algo muito grave pode acontecer com alguém que questiona uma liderança.
Para fomentar esta ideia, eles utilizam-se de uma afirmação de Davi, que, quando perseguido pelo então rei de Israel Saul, teve a oportunidade de mata-lo com suas próprias mãos, mas não o fez, temendo uma represália do próprio Deus, por tirar a vida de alguém que Ele havia ungido para reinar sobre Israel. Segue o texto: “E disse Davi a Abisai: Nenhum dano lhe faças; porque quem estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor, e ficou inocente?
Disse mais Davi: Vive o Senhor que o Senhor o ferirá, ou o seu dia chegará a que morra, ou descerá para a batalha e perecerá. O Senhor me guarde, de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor; agora, porém, toma a lança que está à sua cabeceira e a bilha de água, e vamo-nos.” 1 Samuel 26:9-11
Na antiga Aliança, Deus estabeleceu esta prática para que todo aquele que fosse escolhido rei de Israel, fosse, sobre sua cabeça, derramado um óleo de unção, para afirmar assim o prazer do Senhor na escolha de tal homem como rei, o qual seria a representação governamental de Deus na terra. Era um tempo em que o Espírito Santo ainda não havia sido “derramado” sobre os que creem. Ele fazia visitas esporádicas aos escolhidos de Deus, para executar determinadas funções no meio da nação, e então esse escolhido recebia uma aptidão especial, ou teria suas capacidades apuradas de maneira a executar serviços perfeitos dentro das necessidades momentâneas. Logo após completar a ação, o Espírito logo se retirava do indivíduo e então este voltava a ser uma pessoa comum como todos os outros.
O óleo da unção era constantemente utilizado pelos judeus em diversos tipos de unção. Mas iremos nos ater à unção do rei, a que se refere Davi diante de Saul e que também é utilizado como referência pelas pessoas que usam essa afirmação.
Por ser um representante do governo de Deus na terra, o escolhido então recebia uma unção especial. No entanto, isso não o tornava imune a correções de outros homens, desde que estes viessem instruídos por Deus, como foi o caso do profeta Natã, que veio a corrigir e exortar o rei Davi após ordenar que Urias fosse colocado na linha de frente da guerra para morrer (2 Samuel 11, 15).
Mas é necessário que nos lembremos de que toda a Antiga Aliança nada mais é que uma sombra (Cl 2.17) para todas as coisas que viriam a se suceder na Nova Aliança. Ou seja, tudo o que foi simbolicamente apresentado por ela, viria a se cumprir material e espiritualmente na vida de Cristo. O ungido do Senhor era também aquele que “representaria” (ainda que sem sucesso) o Reino do Messias, aquele que viria um dia para reinar em Israel com um Reino de Paz e Justiça.
Finalmente este reino é chegado a terra. Jesus então nasce de uma virgem como disse o profeta que aconteceria e inaugura um novo tempo no meio do povo de Deus. É chegada agora a era da Igreja, onde não seria apenas considerado povo de Deus os filhos de Israel, mas todos aqueles que viessem a crer em Jesus como Salvador de toda a humanidade. Desde então, foi-se retirado do governo terreno, toda a representatividade que tinha como governo de Deus (apesar de Deus continuar regendo o mundo utilizando-se também dos líderes das nações), e tudo foi passado então para a Igreja, ou seja, para aqueles que creem em Cristo.
A partir daí, o óleo da unção ficou restrito apenas aos cuidados medicinais, e aplicado apenas pelos presbíteros da igreja em caso de enfermidade. E todas as outras formas de utilização do óleo da unção, foram substituídas pelo derramar do Espírito Santo, o qual se deu e se dá até hoje sobre todo aquele que crer. Compreendendo isso, concluímos que, a partir do estabelecimento da Nova Aliança, ou era da Graça, todo aquele que crer e for batizado, pode ser considerado como ungido do Senhor, já que este não apenas recebe visitas momentâneas do Espírito de Deus, mas se torna a própria habitação do Altíssimo.
 Portanto, fazer uso de tal afirmação (de que não se pode tocar no ungido do Senhor), é uma prova do total desconhecimento das Escrituras, já que vemos vários exemplos de pessoas que se levantaram para advertir e corrigir, homens que por nós são tidos como referência de fé e verdadeiramente ungidos pelo Espírito de Deus. Vejamos: o primeiro caso clássico é o de Paulo que critica ferrenhamente a Pedro e o questiona por fingir não comer entre os gentios (Gálatas 2:11-14), outro caso é a separação de Paulo e Barnabé por Paulo não concordar em levar com eles a Marcos (Atos 15, 39).
Diante destas afirmações, concluímos que todo homem é digno de correção sim, já que todos somos falhos e suscetíveis ao erro. Mesmo sendo habitação do Espírito, nossa natureza pecaminosa insiste em nos induzir a erros. Ser habitação do Espírito de Deus, não nos torna pessoas perfeitas e irrepreensíveis. Vale ressaltar também que nem todos aqueles que foram levantados como líderes, realmente são habitados pelo Espírito Santo. Existe também a grande possibilidade de serem os falsos mestres e anticristos citados nas Escrituras, que viriam a se travestir de cordeiros, no intuito de roubar as ovelhas das mãos do Bom Pastor (embora isso seja impossível). Para saber então quem são estes e não sermos enganados por tais, as Escrituras nos deixam uma série de aconselhamentos de que devemos observar e julgar a todos os profetas (que trazem a Palavra) e aos líderes que estão guiando o povo. Exemplo disso é o conselho de Paulo aos Coríntios: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” 1 Coríntios 5:11
Na era da Graça, os ungidos do Senhor são todos os que creem em Cristo como Salvador de suas vidas e não apenas os pastores e mestres. E a todos a Palavra nos orienta a analisar e julgar com reta justiça, para que do contrário, não induzam ao erro aqueles que os tem como homens de Deus.
Não permita que líderes se utilizem dessa afirmação (de que são ungidos do Senhor) para a não serem questionados e corrigidos. Ninguém é perfeito e todos são dignos de, tanto um julgamento justo e correção, como também de serem perdoados.
Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.
João 7:24