sexta-feira, 26 de abril de 2013

Resumo Completo Sobre o Dízimo

Resumo Completo Sobre o Dízimo

Muitos grupos entre as igrejas protestantes insistem que o membro é (ou deve ser) forçado a dar o dízimo, que, ensinam fazer parte dos mandamentos de Deus para a igreja. Nada mais errado! Já explicamos várias vezes o que o dízimo é, mas resumamos aqui o assunto mais uma vez.

1. O dízimo era um sistema de contribuição ordenado por Deus a fim de suportar e sustentar, na nação de Israel, a tribo dos Levitas, a qual foi encarregada de operar o Tabernáculo em todas as suas funções, e não recebeu qualquer herança de terras.

2. O Senhor Deus ordenou que o dízimo fosse apenas 10% do total das colheitas e dos rebanhos criados anualmente. O Israelita ficaria portanto, na posse dos 90% restantes para seu uso pessoal.

3. Pregar sermões sobre o dízimo é totalmente contra as Escrituras. A pregação deve concentrar-se unicamente sobre a simplicidade do evangelho, excluindo tudo o mais, seja dízimos, finanças, política e outras matérias prejudiciais.

4. Levantar a oferta durante o culto é um erro gravíssimo na igreja protestante, especialmente quando é feito antes do sermão, levando o observador inteligente a relacionar o sermão com a necessidade de pagar primeiro para depois ouvi-lo!

5. No caso de estar presente no culto um convidado, ao qual lhe é pedido (discretamente, claro) para contribuir com oferta para um grupo onde nem sequer pertence, isso é uma gravíssima falta de consideração e falta de boas maneiras. Infelizmente as igrejas protestantes de hoje estão reduzidas a esta deplorável e indesculpável falta de educação elementar e moral.

6. O dízimo não é uma forma de oferta no Novo Testamento, nem foi sancionado pela igreja, visto que a igreja não é Israel! Paulo dedica o capítulo 9 de sua segunda carta aos Coríntios ao assunto das ofertas e nunca menciona o dízimo. O mesmo acontece em Filipenses 4:10-19.
A igreja primitiva afastou-se do princípio dizimista por razões óbvias: era um sistema que tinha morrido com a Dispersão de Israel, devido à desobediência aos outros mandamentos mais importantes, tais como repudiar a idolatria. Os judeus que ocupavam a Palestina ao tempo de Jesus já pagavam um pesado tributo a Roma, o que os deixava com menos de 90% estabelecido para a nação de Israel. Embora dessem o dízimo de tudo, Deus já não apreciava tal ritual.
O mesmo acontece hoje. O cristão é obrigado a contribuir para o estado onde vive, com bem mais que os 10% que era a norma em Israel. Assim, o cristão jamais pode obedecer a norma dos 10% pois também os 90% não lhe estão garantidos ou reservados. Daí, o sistema cair em desuso por ser impossível praticá-lo.
Deus foi justo com DEZ POR CENTO, assim como foi justo com os NOVENTA POR CENTO que ficavam! Mas a igreja APÓSTATA de hoje é desonesta nessa matéria devido à IGNORÂNCIA dos líderes e sua VAIDADE religiosa!

7. O princípio cristão encontra-se determinado em 2 Coríntios 9:6-7. “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria”. Quando o pastor requer do membro o seu dízimo POR NECESSIDADE (conforme o versículo!), baseada na VAIDADE da carne, isso é CONDENADO por Paulo (muitos maus exemplos ilustrariam aquelas três palavras, se quiséssemos aprofundar o tema!)!
Ora, dar 10% do salário grosso antes de lhe ser retirado pelo menos a fatia dos 30% para o estado, não é bíblico. Alguns grupos vão ao extremo (como os Nazarenos, da África do Sul) de insistir que o membro tem a obrigação de contribuir com 10% do salário bruto!
Tal absurdo é o que leva muitos observadores a rejeitar certos grupos de igrejas e acusá-los (justamente) de mentirosos, gananciosos, VAIDOSOS, desperdiçadores e sem amor àqueles que tentam explorar à custa de Malaquias 3 e outros ERROS doutrinários!
Gálatas 5:1: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão”. Gálatas 5:14: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.

8. Usar Mateus 22:21 para defender o dízimo é um absurdo teológico, mas, infelizmente, as igrejas que o defendem não se poupam a esforços para justificar passagens como esta. A palavra DÍZIMO não aparece no versículo e Jesus não estava a instruir a igreja que ainda não existia. César, de fato, levou para Roma tudo o que lhe pertencia como conquistador, conforme Jesus avisou, destruindo o templo e rapinando toda a sua riqueza e glória.

9. Citar Mateus 23:23 para reforçar Malaquias 3:8-10 é outro estratagema desonesto dos defensores do dízimo e um insulto à inteligência quando vem dos púlpitos! As palavras ásperas de Jesus jamais poderiam ser aplicadas à igreja que ainda não tinha nascido naquele momento.
Mateus é o elo da revelação progressiva do VT para o NT que estava tendo lugar com a presença FÍSICA do Senhor na terra. Paulo, que entendia perfeitamente toda a lei do VT jamais escreveu uma palavra para aplicar o dízimo à igreja.
O princípio bíblico para as igrejas que Paulo fundou e a doutrina que passou a Timóteo estabelece que “o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará” (2 Cor 9:6), mas a graça de Deus (v.8) abundante em nós, produz boas obras. Pouco ou muito, deve redundar em boas obras e bom fruto e não desperdício. Paulo equaciona a oferta aos santos em necessidade com a glória que essa oferta traria para o evangelho de Cristo (v.13).
Ora, não é o que se observa na igreja destes dias de Laodicéia (Apoc 3:14-22): riqueza material aos olhos humanos, porém produzindo aos olhos do Espírito Santo uma figura das mais negativas que a Bíblia descreve (3:17). O princípio de Paulo é uma igreja onde a oferta é para produzir BOM FRUTO.
Segundo o mesmo apóstolo, levantar a oferta durante o culto nunca se aplicaria nas igrejas por ele fundadas (1 Timóteo 6:3-21 – ver o contexto em que Paulo escreve a Timóteo)! “Nessa cobiça, alguns se desviaram da fé”. Paulo ordena Timóteo à luta pela fé, e não a pregar sobre dinheiro, sobre o dízimo, sobre orçamentos, compra de propriedades, investimentos a prazo, candelabros de luxo, e muitas outras VAIDADES (Eclesiastes 1:2) copiadas de seitas como a do papa, onde existem catedrais com o nome do apóstolo, o que ele abominaria!
Diante do tribunal de Cristo, Paulo quererá saber quantas almas por ele evangelizadas foram arrancadas à IDOLATRIA e não quantas catedrais com o seu nome foram levantadas para praticar o culto aos ídolos! Entre os protestantes e neo-cristãos, milhões vindos da oferta são enterrados nesses monumentos para satisfazer a vaidade dos homens.
Em termos práticos, a oferta (segundo Paulo) seria recolhida dos crentes para produzir BOAS OBRAS e bom fruto para glória do evangelho de Cristo (v.13), auxiliando, primeiro, os santos em necessidade (2 Cor 9:12), sem ferir nenhum deles com arrogantes ameaças sobre o dízimo! As seitas nascem onde a palavra de Deus é interpretada primeiro para favorecer o homem (o dízimo tem produzido uma leva de seitas!).
Retirar a oferta a esses grupos é a melhor oferta que se pode dar, para que a vaidade seja destruída pelo trabalho útil. Provérbios 13:11 – “A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará”.

10. Usar Malaquias 3:8-10 é outra TERRÍVEL HERESIA praticada por quase todas as denominações. A passagem nada tem a ver com a igreja, e lendo cuidadosamente o contexto, a razão da exclamação de Deus salta à vista! Que horrível heresia e falta de educação do ministro ir ao ponto de acusar a congregação de roubar a Deus quando, muitas vezes o grupo desperdiça milhares em vaidades humanas e, até, o ministro em muitos desses casos, não passa de um mercenário que não ama as ovelhas do seu rebanho, antes as maltrata, pois nunca foi chamado para as levar a pastos verdejantes!
Além disso, os membros da igreja são, em geral, os melhores amigos do pastor, e ainda assim são maltratados por ele no que respeita a dinheiro! Líderes que usam o púlpito para ROUBAR os crentes deviam ser despedidos do ministério sem mais rodeios.

11. Leia Deuteronómio 14:28-29 e imagine a impossibilidade de praticar o dízimo no presente, fora da nação de Israel do passado.

12. Como grande parte das heresias, forçar a igreja a pagar o dízimo foi ressuscitado pelos papas da seita de Roma, ao tempo do Sínodo de Macon – 585 DC. O católico foi instruído a pagar o dízimo sob pena de excomunhão, o que aterrorizava o povo simples e iletrado no catolicismo. “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”, 1 Timóteo 6:10.
Mais tarde, o diabólico confessionário (uma invenção religiosa que nasceu no INFERNO!) iria reforçar aquela obrigação fiscal à seita diabólica, com ameaças de grave pecado caso não fosse obedecido. Pelo tempo de Carlos Magno (século 8), as nações católicas eram forçadas a contribuir com o dízimo para os cofres de Roma. O “Santo Império Romano” praticou por séculos o assalto à bolsa e à propriedade dos seus cidadãos.
A MALIGNA Inquisição aumentou muito o patrimônio papal à custa das suas expropriações, Indulgências e ROUBOS em nome do papa. A partir do século 16, os Anabaptistas começaram a pregar contra o sistema fiscal dos papas e após a Reforma diminuiu esse pecado e abuso nos países libertados de Roma. O Concilio de Trento (século 16) decretou que era crime reter o dízimo.
A Revolução Francesa acabou com o “Santo Império Romano” e o sistema fraudulento de cobrança de dízimos acabou por aí.

13. Reter o dízimo não é pecado! Dar meio por cento, 10% ou o que quer que seja, fica ao critério de cada um, segundo 2 Coríntios 9:6-7. Ameaçar os crentes com o dízimo (ou com Malaquias 3:8) é um PECADO GRAVÍSSIMO e extremamente reprovável das igrejas protestantes! Isso, além de ser falta de amor, respeito e educação por parte daqueles que insistem nessa heresia!
Muito do dinheiro coletado hoje é para usar mal e/ou enterrar em propriedade ou outras vaidades das igrejas. Alguns grupos (os Nazarenos, da África do Sul, por exemplo) têm tanta propriedade que se os membros deixassem de dar oferta, a venda dessas propriedades manteria a inútil liderança por várias décadas.
As igrejas protestantes seguem de perto a vaidade dos papas com as suas catedrais e outros monumentos (até chegar “César” e destruir tudo!). Os grupos carismáticos e neo-pentecostais e outros (grupos como a IURD – Igreja Universal do Reino de Deus!), além de ofenderem/roubarem os seus membros com pregações acerca de dinheiro, contribuem para a desonra do evangelho e é necessário repreendê-los pela ofensa.
O que vai por aí nas igrejas evangélicas com “promessas” para isto e para aquilo, mais envelopes para pôr dinheiro para este e aquele projecto, mais gráficos para ofertas especiais, etc., não passam de meios NÃO BÍBLICOS de forçar as vítimas a contribuir debaixo de ameaças disfarçadas!  

14. Desafiamos quem quiser defender o dízimo pelo Novo Testamento – uma IMPOSSIBILIDADE! Advertimos que já ouvimos TODAS as explicações possíveis e imaginárias daqueles que ABUSAM e exageram o assunto! A situação no meio evangélico é de tal APOSTASIA que o crente devia RETER a sua oferta a fim de ser abençoado por Deus. A destruição da oferta em VAIDADES humanas é uma PRAGA pior que as que atacaram o Egito!

15. O crente atento deve ter muito cuidado com a sua oferta, a fim de não a DESPERDIÇAR e, no processo, PECAR contra Deus e contra a igreja verdadeira (os irmãos que têm verdadeiras necessidades – e há MUITOS nas igrejas e fora delas – esses que estão fora, também necessitam da nossa  oferta, pois muitas vezes foram VÍTIMAS daqueles aldrabões do púlpito!), além de, vítima de pastores oportunistas e moralmente mal formados (!), além de ARROGANTES com Malaquias 3:8 (!), PREJUDICAR a sua própria família, retirando-lhe o pão para o entregar a IMPOSTORES ecumênicos e outros! -- Júlio Carrancho, Joanesburgo. (Setembro/2002.) Tradução: Mary Schultze.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes!!!

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes - Charles Haddon Spurgeon



Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada
. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? .Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Mc 16.15) . isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: .E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho., assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: .Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres. (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? .Vós sois o sal., não o .docinho., algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: .Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: .Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira! . Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: .Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!. Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: .Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos.. Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles .transtornaram o mundo.. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.
Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

TOMA POSSE DA BENÇÃO! - EU PROFETIZO! - EU DETERMINO!

...O......QUÊ....????

Muitos “chavões” ou “jargões” têm invadido as igrejas evangélicas no Brasil. Frases como: “Eu profetizo”, “Toma posse da bênção”, "Eu determino", "Eu declaro", entre outras, viraram formas arrogantes de os crentes exercitarem sua fé ou de se dirigirem a Deus, exigindo bênçãos imediatas. Preocupados com essa nova linguagem e com essa nova postura, faremos uma rápida análise do contexto evangélico atual, para que possamos entender o porquê dessas invencionices, praticadas durante as chamadas "ministrações", realizadas nos cultos.
Os Jargões e as Doutrinas Modernas
Muitos jargões surgiram como resultado de doutrinas controvertidas, como a crença em “maldição hereditária”, e a “confissão positiva”, que vieram juntas com a “teologia da prosperidade”. São ensinamentos antibíblicos. Essas doutrinas equivocadas são usadas para tirar dos cristãos a exclusividade da fé em Cristo, que é suficiente para libertar, curar e proteger os servos de Deus de toda força do mal.


Os jargões evangélicos e a confissão positiva
A chamada "confissão positiva" coloca o peso das realizações espirituais nas palavras pronunciadas e na atitude mental da pessoa que está ministrando, desconsiderando a genuína fé em Deus (At 3:16; Hb 12:1-2). Essa atitude é apoiada na falsa crença que diz: “Há poder em suas palavras”, como se as palavras humanas tivessem poder de criar, de intervir, de mudar situações. A ênfase é posta no homem, e, raramente, o ministrante cita o poder de Deus (Rm 1:16-17). Há dezenas de livros ensinando os crentes a agirem assim. A maioria dos fiéis não percebe que está caminhando para o abismo espiritual, lugar daqueles que se afastam das verdades bíblicas.

Os jargões evangélicos e a incubação de bênçãos
A conhecida "Incubação de bênçãos" é um desdobramento da crença na "confissão positiva". Consiste no seguinte: O crente incauto é ensinado a "gerar uma imagem mental", direcionada para o alvo que se pretende alcançar; por exemplo: se o crente deseja um carro, deve engravidá-lo mentalmente, para que Deus possa conceder-lhe a graça. É ridículo, mas, infelizmente, centenas de crentes deixam-se enganar. Essa atitude tem levado muitas pessoas ao comodismo, à inércia espiritual e a uma atitude preguiçosa, pois já não se esforçam para conseguir, com trabalho duro e honesto, aquilo de que precisam. Pelo contrário, ficam à espera do momento em que a bênção irá “cair do céu”. Da crença na "incubação das bênçãos", surgiu a arrogante frase: "Toma posse da bênção”. Isso simplesmente não existe na palavra de Deus.

Os jargões evangélicos e a mania de querer mandar em Deus
Chavões tais como: “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, "Eu decreto", são pronunciados sem a menor reflexão ou sentido de responsabilidade. Os crentes e, infelizmente muitos líderes comportam-se como se fossem Deus; colocam o "EU" na frente e soltam palavras que não fazem parte das alianças divinas, das promessas divinas, dos oráculos divinos, dos estatutos divinos, da graça divina, da misericórdia divina, do amor divino. Falam da forma como Deus não mandou falar, declaram o que Deus não mandou declarar. “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, "Eu decreto" são expressões despidas da espiritualidade ensinada na palavra de Deus; são frases que revelam a altivez do coração humano, são palavras que, por não terem respaldo bíblico, não mudam situação alguma.

Os cristãos precisam entender que não podem dar ordens a Deus! É Deus quem determina; é Deus quem decreta; é Deus quem declara; é Deus quem abençoa. É Deus; não sou eu. Ele é tudo; eu sou nada! Eu sou servo; Deus é Senhor! Ele é soberano; eu apenas obedeço à sua Palavra. A Deus, toda a glória! Assim, não é a minha vontade que deve prevalecer. Jesus não só nos ensinou a orar: ... Seja feita a tua vontade (Mt 6:9 e 10), como também pôs em prática o que ensinou: ... Todavia, faça-se a tua vontade... (Mt 26:42). Pronunciar uma frase por deliberação própria e dar a entender que está autorizado por Deus, sem, na verdade estar, é enganar o rebanho do Senhor. Deus não opera onde há engano; não compactua com enganadores e não terá por inocente aquele que tomar seu nome em vão (Êx 20:7).

Os jargões evangélicos e o egocentrismo
O que nos chama à atenção nessas manias, nessas invencionices, é o seguinte: quanto mais elas se alastram, mais o nome de Deus desaparece e o "EU" entra em cena. É trágico, os cristãos vão se tornando embrutecidos, achando que podem assumir o lugar do Altíssimo Deus. Cada vez mais os cristãos expressam o desejo de assumir o lugar de Cristo: “Eu ordeno”, “Eu profetizo”. É o "EU" como centro da fé; é o egocentrismo religioso em marcha; é o endeusamento do egoísmo; é a divinização do homem.

Os cristãos precisam entender que Jesus não permitiu que o seu "EU" aparecesse. Quando alguém o chamou de “bom Mestre”, ele desviou de si a atenção e disse: ... bom só há um, que é Deus ... (Mt 19:17). É preciso ter muito cuidado com o egocentrismo religioso: o "EU" atrai para o homem a glória que a Deus pertence, sendo o resultado de tal atitude a morte eterna.
Reflexões Bíblicas Sobre Alguns Jargões
A ausência de estudo da palavra de Deus, ministrados de forma sistemática, tem dado oportunidade para a entrada de heresias, acompanhadas dos chavões religiosos, nas igrejas. Por isso, somos convidados a refletirmos sobre seguinte questão: A utilização dessas estranhas expressões tem o apoio da Bíblia? Avaliemos algumas delas:

- “Eu profetizo”
A Bíblia ensina que a profecia não depende do "EU" querer: ... Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirado pelo Espírito Santo (II Pe 1:21). É bom observarmos que os homens santos de Deus também não usaram essa frase; ao contrário, quando profetizaram, disseram: Assim veio a mim a palavra do Senhor... (Jr 1:4); Assim diz o Senhor... (Jr 2:5; Is 56:1; 66:1); Ouvi a palavra do Senhor... (Jr 2:4); E veio a mim a palavra do Senhor (...) disse o Espírito Santo... (At 13:2);... Isto diz o Espírito Santo... (At 21:11); Mas o Espírito expressamente diz... (I Tm 4:1). Em todos os casos, não aparece o "EU", aparece a pessoa divina.

Pense bem: Como vamos profetizar bênçãos, sem que Deus tenha nos autorizado em sua palavra, a Bíblia Sagrada? Como é que vamos profetizar, se, em nós mesmos não há bênçãos para oferecermos, visto que a Palavra afirma que, em nossa natureza, não habita bem algum? Como é que eu e você vamos profetizar bênçãos em nosso nome, se a Bíblia afirma que toda boa dádiva, todo dom perfeito vem do alto, do Pai das luzes, em quem não há mudança e nem sombra de variação?

Essa arrogância do "Eu te abençôo" deriva da falsa crença na "confissão positiva", que leva as pessoas a crerem em que há poder nas suas próprias palavras. Daí acharem que podem profetizar bênçãos a qualquer momento e a qualquer pessoa. A Bíblia condena essa falsa crença, pois somente Deus tem poder para abençoar.


- “Tomar posse da bênção”
Não encontramos o uso dessa expressão no Antigo e nem no Novo Testamento. É um jargão de uso frequente nas igrejas cujas reuniões têm como tema e propósito principal pregar e receber a prosperidade material, que eles reduzem a bênçãos. Os seus líderes não se preocupam com nutrir o rebanho com as verdades da palavra de Deus, que conduzem à salvação em Cristo Jesus (II Tm 3:14 e 15)

Essa frase surgiu para fortalecer a doutrina da "incubação de bênçãos". Como já vimos, neste texto, primeiramente a pessoa tem a “visualização positiva” da bênção desejada, isto é, concebe em sua mente o que ela quer receber e, em seguida é motivada a “tomar posse bênção”.

A "incubação de bênçãos", a "visualização positiva" e o uso do termo “tomar posse da bênção” são atitudes que substituem a fé operante e a atuação divina, levando as pessoas a crerem em que tudo depende da força da mente e das palavras de poder pronunciadas por elas. Comparando isso com o procedimento de Jesus e dos apóstolos, afirmamos que é errado usar o termo "Toma posse da bênção" como meio de termos as bênçãos divinas concretizadas em nossa vida. Os discípulos de Jesus nunca cometeram esse tipo de equívoco, pois, em lugar de dizerem: "Toma posse da bênção”, eles disseram: ... Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê (Mc 9:23); ... Tende fé em Deus ... (Mc 11:22), ... Grande é a tua fé! ... (Mt 9:28) ... Seja-vos feito segundo a vossa fé (Mt 9:23); Em nome de Cristo, o nazareno, levanta-te e anda ... (At 3:6). Assim, em vez de as bênçãos serem direcionadas para o homem, a palavra de Deus ensina as pessoas a direcionarem suas esperanças para Deus, através da fé.

Conclusão

Doutrinas heréticas têm ocupado a mente e o tempo de muitos crentes. Elas não conduzem as pessoas a confiarem no sacrifício do Calvário, na cruz do Senhor, no sangue de Jesus, que nos purifica de todo o pecado, mas levam as pessoas a se envolverem com várias práticas estranhas à Palavra inspirada pelo Espírito Santo.