terça-feira, 24 de setembro de 2013

DÍZIMO. É Para Hoje?

Dízimo. É para Hoje?



"Vocês estão debaixo de grande maldição porque estão me roubando; a nação toda está me roubando. Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova, diz o Senhor dos Exércitos, e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las. Impedirei que pragas devorem suas colheitas, e as videiras nos campos não perderão o seu fruto", diz o Senhor dos Exércitos. (Malaquias 3.9-11).

Este é possivelmente um dos textos mais conhecidos na Bíblia em relação ao dízimo. É usado com frequência para argumentar que aqueles que não dão 10% de toda sua renda para a Igreja são culpados de quebrar o oitavo mandamento, "Não roubarás". E o pior de tudo é que estariam roubando não qualquer homem, mas o próprio Deus. E ainda, aqueles que o fazem serão amaldiçoados! Não está claro que é isso o que o texto diz?

O primeiro problema aqui é o fato de que muitos daqueles que usam este texto para falar sobre dízimo raramente explicam com base na própria Bíblia o que o dízimo de fato significava. Eles simplesmente assumem que dízimo significa 10% de sua renda sem dar qualquer evidência bíblica de que a palavra realmente se refere a isso. O próprio texto não diz nada sobre os 10%. Não podemos simplesmente presumir que seja algo sem qualquer prova plausível.
O problema é que a Bíblia explica com clareza o que “dizimo” significa. E não é o que a maioria hoje diz que é.

Primeiro temos que entender melhor o contexto maior do profeta Malaquias. Ele era um profeta. A função no Antigo Testamento de um profeta não era estabelecer leis ou mandamentos novos, sua função era simplesmente anunciar ao povo a Lei que já fora dada por Moisés e, com base nisso, profetizar sobre as implicações da obediência ou rebelião contra a Lei. Como no caso de todos os profetas do Antigo Testamento, os oráculos de Malaquias eram simplesmente uma exposição da Lei dada por Moisés junto com previsões da aplicação histórica de bênçãos e maldições do pacto entre Deus e Israel:

“Se ouvires atentamente a voz do Senhor, o teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor, o teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra; e todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, se ouvires a voz do Senhor, o teu Deus”. (Deuteronômio 28.1-2)

As benções prometidas incluíam:
01) Teriam paz, segurança e prosperidade onde quer que estejam. Seja no campo ou cidade. (v.3)
02) Suas famílias seriam numerosas e prósperas (v. 4,11);
03) Seus animais seriam férteis e vigorosos (v. 4, 11);
04) Suas plantações seriam abençoadas (v. 4,11);
05) Seriam uma potência militar, incapazes de serem vencidos na guerra (v.7);
06) Seriam bem sucedidos em tudo o que se dedicassem a fazer (v. 8);
07) Seriam respeitados internacionalmente (v.10);
08) Teriam estabilidade climática, não havendo secas (v. 12);
09) Seriam uma potência econômica, respeitada internacionalmente (v. 12).

Para manter a si mesma nesta posição e continuar sendo beneficiado por Deus, Israel deveria se manter obediente à Lei de Deus. As bênçãos de Israel eram condicionadas à obediência a Deus.
Ele prometeu paz, prosperidade e desenvolvimento cultural a Israel, caso eles permanecessem fiéis. Mas, da mesma forma, Deus prometeu ruína nestas mesmas coisas se Israel não fosse fiel.

“Se, porém, não ouvires a voz do Senhor, o teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão...” (Deuteronômio 28.15) As maldições incluíam:

01) Seriam fracassados onde quer que estivessem, seja na cidade ou campo (v. 16);
02) Alto índice de esterilidade entre as mulheres e famílias amaldiçoadas (v. 18);
03) Seriam fracassados nas plantações e na criação de animais. As plantações seriam atacadas por pestes (v. 18, 21,38-40, 42);
04) Seriam fracassados em tudo o que se dedicassem a fazer (v. 20);
05) As enfermidades se multiplicariam como tísica, úlceras, tumores malignos, sarnas, loucura e cegueira (v. 22, 27-28, 35, 59);
06) Haveria secas (v. 23,24);
07) Seriam militarmente fracassados e dominados por tiranos (v. 25, 26, 32-34, 36, 41, 48-57);
08) Seriam internacionalmente envergonhados (v. 37);
09) Seriam fracassados economicamente (v. 44);
10) Seriam exilados (v.64);
11) Se tornariam idolatras. (v. 64)

Os oráculos dos profetas no Antigo Testamento devem ser compreendidos como aplicações históricas das bênçãos e maldições do pacto.
 Jeremias, por exemplo, profetizou que Jerusalém seria derrotada pelas forças do Império Babilônico:

“Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eis que virarei contra vós as armas de guerra, que estão em vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de Babilônia e contra os caldeus, que vos estão sitiando ao redor dos muros, e ajuntá-los-ei no meio desta cidade. E eu mesmo pelejarei contra vós com mão estendida, e com braço forte, e em ira, e em furor, e em grande indignação. E ferirei os habitantes desta cidade, tanto os homens como os animais; de grande peste morrerão”. (Jr 21.4-6)

Isto é uma aplicação da maldição do pacto:

“Porei o meu rosto contra vós, e sereis feridos diante de vossos inimigos; os que vos odiarem dominarão sobre vós, e fugireis sem que ninguém vos persiga”. (Lv 26.17)

“O Senhor fará que sejas ferido diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás deles; e será espetáculo horrendo a todos os reinos da terra”. (Dt 28.25)
Da mesma forma, quando Malaquias falou sobre o dízimo, ele não estava estabelecendo qualquer mandamento, mas estava somente lembrando ao povo sobre o mandamento que já fora dado por Moisés. E a maldição de Malaquias contra o povo, por não cumprir o mandamento, era simplesmente a maldição pactual, que também já fora revelada por Moisés.
Por isso, para entender Malaquias, precisamos voltar a Moisés:

"Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR. Porém, se alguém das suas dízimas resgatar alguma coisa, acrescentará a sua quinta parte sobre ela. No tocante a todas as dízimas do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR. Não se investigará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se de alguma maneira o trocar, tanto um como o outro será santo; não serão resgatados". (Levítico 27.30-33)

Este é a primeira vez em que há qualquer mandamento na Bíblia sobre a obrigação do homem a dar o dízimo de qualquer parte de sua propriedade. Não há qualquer outro antes deste. O ponto aqui é que antes de Levítico não há qualquer registro de qualquer obrigação de dar qualquer parte de nossa renda. Esta é a primeira vez e todos os textos posteriores que mencionam o mandamento se baseiam neste.

Devemos notar, em relação ao mandamento, que é ele quem dá os detalhes específicos sobre o que deveria ser dizimado. Dizimo indica a décima parte, dez por cento. Contudo o texto não estabelece que Deus exige o dízimo de tudo.

Coisas específicas são citadas: "dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores... As dízimas do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara".

O dízimo era exclusivamente agropecuário. Alguns podem argumentar que o motivo era Israel foi uma sociedade agropecuária, então, exigir o dízimo destas coisas daria no mesmo que exigir o dízimo de tudo. Mas este não é um argumento válido, simplesmente porque a Bíblia fala, em muitos lugares, da transação econômica por meio de dinheiro consistindo em ouro e prata. Tal dinheiro era usado para comprar escravos (Gênesis 17.12), terra (Gênesis 23.15); para pagar multas (Êxodo 22); dívidas do santuário (Êxodo 30.12); votos (Levítico 27.3-7); bebidas alcoólicas (Deuteronômio 14.26) e dotes de casamento (Deuteronômio 22:29).
Vemos também o peso do ouro que se trazia a Salomão. Cada ano era de "seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro". (I Reis 10.14) Todavia, não existia qualquer obrigação de dizimar nada disso, porque o dízimo era exclusivamente agropecuário.

Neste verso não há qualquer explicação sobre quem deveria receber o dízimo e sobre a maneira com que ele seria entregue. Há só o mandamento que deveria ser entregue sem qualquer explicação de como fazer isso.

A explicação não foi dada aqui, mas encontramos em Números:
"E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam o ministério da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas executarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniquidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança terá, Porque o dízimo dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tem dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terá". (Números 18.20-24)
Dentre todas as tribos de Israel a tribo de Levi foi a única que não recebeu qualquer parte da terra. Se não tinham terra também não tinham como produzir qualquer coisa agropecuária - algo que é fundamental para a existência humana. É por isso que Deus existiu que o resto das tribos, que tinham terra, entregasse o dízimo de toda produção agropecuária aos levitas. O dízimo não incluía qualquer coisa além destas, pois o problema do levita era simplesmente que ele não tinha terra.
Se entendermos isso seremos capazes de compreender melhor o conteúdo tanto da ameaça quanto da promessa de Malaquias:

"fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos". (Malaquias 3.10-11)

Tanto a benção quanto a maldição aqui são ligadas ao setor agropecuário. O mandamento do dízimo era referente a isso e, por isso, as bênçãos e maldições para a obediência ou rebelião nacional eram ligadas ao setor.

O "devorador" é simplesmente a praga consumindo a plantação. O que Malaquias faz aqui é avisar Israel sobre as bênçãos e maldições históricas conforme a Lei: "Maldito... o fruto do teu solo, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas". (Deuteronômio 28.18)


Hoje há muitos debates sobre a continuidade ou não do mandamento em relação ao dízimo no tempo do Novo Testamento. O problema com este debate é que se começa com a premissa errada, sendo a ideia de que o mandamento do dízimo era a obrigação de dar 10% de toda nossa renda. Contudo esta não era a ordem. E se o mandamento não era este, alguém que o defende continua na era do Novo Testamento e só pode defender que há a continuidade de dizimar produtos agropecuários, pois era disso que se tratava.

Para argumentar que temos a obrigação moral de dizimar toda a nossa renda seria preciso provar primeiro que esse tal mandamento em algum momento da história existiu.
Alguém ainda poderá questionar: Mas o dízimo de Abraão não incluiu somente isso. O mesmo com Jacó. Sim! Não há dúvidas disso, mas nestes casos não foi por qualquer mandamento ou obrigação moral e sim como oferta voluntária:

“Tomaram também a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e os bens dele, e partiram. Então veio um que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu. Ora, este habitava junto dos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner; estes eram aliados de Abrão. Ouvindo, pois, Abrão que seu irmão estava preso, levou os seus homens treinados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e perseguiu os reis até Dã. Dividiu-se contra eles de noite, ele e os seus servos, e os feriu, perseguindo-os até Hobá, que fica à esquerda de Damasco. Assim tornou a trazer todos os bens, e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e os bens dele, e também as mulheres e o povo. Depois que Abrão voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma, no vale de Savé (que é o vale do rei). Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo". (Gênesis 14.12-20)

Muitos hoje imaginam Abraão somente na figura de um simples idoso indefeso perambulando por terras desconhecidas. Certamente, em determinado ponto de sua vida, ele se tornou idoso. Mas Abraão era tão habilidoso e competente na arte da guerra que foi capaz de rapidamente organizar e coordenar um exército para derrubar reis.

Quando a guerra acabou, Abraão se encontrou com o sacerdote Melquisedeque  e “deu-lhe o dízimo de tudo".  Mas "tudo" aqui não se refere a tudo o que ele tinha, mas aos despojos de guerra que ele acabara de lutar. Hebreus deixa isso perfeitamente claro:

"Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dos despojos". (Hebreus 7.4)

Não há qualquer evidência de que Abraão dava o dízimo de toda a sua renda para ninguém. Ele deu o dízimo dos despojos de guerra para Melquisedeque, mas não há qualquer outra referência sobre ele entregando dízimo para ninguém. Isso seria até difícil de imaginar, porque aparentemente Abraão passou muito tempo vagando sozinho com sua esposa, sem contato com muitas pessoas, muito menos um sacerdote de Deus. Além disso, não há qualquer evidência que Abraão tinha a obrigação moral de dar o dízimo para Melquisedeque. E se de fato tivesse a obrigação de dar o dízimo de toda sua renda, ele teria transgredido sua obrigação ao dizimar somente o despojo? Abraão ter dizimado o despojo não significa que havia qualquer mandamento ou obrigação moral.
Se eu quisesse acordar amanhã e doar 50% da minha renda ao trabalho missionário sustentado por minha igreja local, isso significaria que a minha igreja estabeleceu um mandamento no qual os membros teriam a obrigação moral de doar 50% do seu salário? É claro que não!

 Vemos o mesmo na vida de Jacó:

"E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; E eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres certamente te darei o dízimo". (Gênesis 28.20-22)

Implicitamente este texto mostra que, quando Jacó decidiu dar o dízimo, não se tratava de um mandamento ou uma obrigação moral. Sabemos disso porque votos não são obrigatórios, mas voluntários. É por isso que Salomão escreveu: "Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não cumprires". (Eclesiastes 5.4-5)

O homem tem a opção entre fazer um voto ou não. E se ele fizer, terá que cumprir. E se for para não cumprir, é melhor não fazer. Claramente o voto é voluntário e, portanto, a promessa de Jacó que ele daria o dízimo de tudo era voluntária. Este não é o caso dos mandamentos de Deus. Nós temos a obrigação moral em cumprir o que Deus manda a todo o momento. É possível que não cumpramos isso, mas isso não remove a obrigação.

Os votos não são assim. O homem pode votar ou não. A obrigação só existe depois que ele votou. Mas antes de votar, ele poderia não votar. Isso prova que o dízimo entregue por Jacó era voluntário. Prova também que não havia qualquer mandamento para dar dízimos até então. Tal mandamento veio depois com Moisés e não incluía tudo.

Mas ainda precisamos saber se o mandamento dado depois por Moisés continuou a vigorar na era do Novo Testamento.

Primeiro, precisamos entender que o estabelecimento do Novo Pacto significou o estabelecimento de um sacerdócio diferente do que havia sob o Antigo Pacto.

Sob o Antigo Pacto, os levitas foram estabelecidos como sacerdotes:
"Então disse o Senhor a Moisés: Faze chegar à tribo de Levi, e põe-nos diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam; eles cumprirão o que é devido a ele e a toda a congregação, diante da tenda da revelação, fazendo o serviço do tabernáculo; cuidarão de todos os móveis da tenda da revelação, e zelarão pelo cumprimento dos deveres dos filhos de Israel, fazendo o serviço do tabernáculo. Darás, pois, os levitas a Arão e a seus filhos; de todo lhes são dados da parte dos filhos de Israel” (Números 3.5-9).

Qualquer outro era terminantemente proibido de exercer o ofício sacerdotal. Isso explica porque Jesus não poderia ser reconhecido como sacerdote sob o Antigo Pacto.
Sob o Antigo Pacto, os sacerdotes deveriam vir exclusivamente da tribo de Levi. Jesus Cristo era da tribo de Judá e não de Levi, mas o Salmo avisou que isso mudaria e o Messias seria estabelecido como “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. (Salmos 110.4)
Diferente do Antigo Pacto em que o rei não era sacerdote, o sacerdote não era rei (I Samuel 13.8-14), Melquisedeque era rei e sacerdote simultaneamente. É por isso que o Salmo 110 diz que Jesus Cristo seria sacerdote segundo a ordem dele.

Jesus Cristo também seria rei e sacerdote ao mesmo tempo: “Porque aquele, de quem estas coisas se dizem, pertence à outra tribo, da qual ninguém ainda serviu ao altar, visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo da qual Moisés nada falou acerca de sacerdotes. E ainda muito mais manifesto é isto, se à semelhança de Melquisedeque se levanta outro sacerdote” (Hebreus 7.13-15).

Uma das principais responsabilidades dos sacerdotes levitas era o de administrar os sacrifícios de animais no templo, mas Jesus Cristo não administrou sacrifícios de animais. Ele ofereceu a si mesmo como sacrifício na cruz.

Os animais sacrificados pelos sacerdotes levitas não tinham em si mesmos a capacidade de efetuar a expiação pelos pecados do homem: “Porque tendo a Lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam”. (Hebreus 10.1)

Esses sacrifícios eram somente sombras do sacrifício expiatório na cruz do verdadeiro sumo sacerdote, Jesus Cristo. O sacerdócio levítico era somente uma sombra do sacerdócio de Cristo, da mesma forma que o sistema sacrifical era somente uma figura do sacrifício de Cristo. Contudo, quando Jesus Cristo finalmente veio, as sombras foram abolidas para que desse lugar a realidade para a qual ela apontava. O sacerdócio dos levitas deu lugar ao sacerdócio de Cristo e os sacrifícios deram lugar à cruz de Cristo.

Ora, se o mandamento de dizimar a produção agropecuária existia para suprir o fato dos sacerdotes levitas não terem terra, segue-se que tal lei foi abolida justamente com o sacerdócio.

Como explicou-se em Hebreus: "E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo... Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei". (Hebreus 7.5,12)

 As duas coisas eram ligadas e dependentes. Se uma é abolida a outra também.

Muitos citam as palavras de Jesus para provar que o mandamento dos dízimos continua de pé:
"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da Lei, o juízo, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas". (Mateus 23.23)

Aqui nós aprendemos que os fariseus eram fiéis dizimistas, mas é importante notar as três coisas que Jesus cita como fazendo parte do dízimo deles: "a hortelã, o endro e o cominho". Jesus não cita dinheiro porque dinheiro não era dizimado. Ele cita coisas somente dentro daquilo que havia mandamento para dizimar: "Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR". (Levítico 27.30)

Isso não prova que devemos continuar a dizimar nossa produção agropecuária? Hebreus esclarece: “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?" (Hebreus 9.15-17)


Enquanto Jesus Cristo estava vivo, o Antigo Pacto estava em plena atividade. Consequentemente, o sacerdócio levítico também. Somente com sua morte ele ofereceu a si mesmo na cruz e estabeleceu o Novo Pacto. É por isso que nos Evangelhos vemos Jesus ainda ordenando o sacrifício de animais, algo que dependia do sacerdócio levítico para acontecer: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta". (Mateus 5.23-24)

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