sexta-feira, 12 de setembro de 2014

JESUS Liberta do jugo do pecado.

Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.
Gálatas 5:1

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Em caso de arrebatamento...!!!

Em caso de arrebatamento, este carro vai ficar desgovernado



Hermes C. Fernandes
“Em caso de arrebatamento, este carro vai ficar desgovernado”. Esta frase é encontrada adesivada em muitos automóveis em nossas cidades. Para os não-evangélicos não faz o menor sentido. Mas para muitos os evangélicos esta frase denota a crença na doutrina do arrebatamento secreto, defendida pelo sistema dispensacionalista de interpretação bíblica.
Segundo este sistema, a volta de Cristo seria dividida em duas fases, a primeira seria secreta e destinada unicamente aos crentes, enquanto a segunda seria pública e aconteceria sete anos depois dos crentes serem arrebatados e levados para o céu.
Os mais antigos se lembram de um hino cujo título era “O Rei está voltando”. Entre suas estrofes, se dizia que o mercado ficaria vazio (e não seria pela alta dos preços!), os aviões cairiam pela ausência súbita dos pilotos. Enfim, o mundo ficaria em polvorosa, e a mídia não se ocuparia com outra notícia que não fosse o desaparecimento de milhões de crentes pelo mundo a fora. Alguns defensores das teorias de conspiração afirmam que a mídia reportaria o desaparecimento súbito de milhões de crentes como um caso de abdução em massa promovida por discos voadores (sic). 
Cresci ouvindo isso. Ficava atormentado quando meus pais tocavam na vitrola o disco “A última trombeta”.

Depois de crescidinho, deparei-me com outros sistemas de interpretação, e mesmo formado em Teologia, já tendo dado aula de Escatologia em um seminário, decidi rever meus conceitos.
Dei-me conta que a doutrina do arrebatamento secreto não consta das Escrituras, e foi inventada há pouco mais de duzentos anos, por um inglês chamado John Nelson Darby (1800-1882), e tornando-se febre entre os cristãos evangélicos por causa dos comentários de rodapé da Bíblia de Scofield. Portanto, é a mais recente linha de interpretação da escatologia bíblica. Mais tarde, descobri que tal interpretação já havia sido seminalmente engendrada trezentos anos antes pelo jesuíta espanhol Franscisco Ribera (1537-1591). Por quase três séculos, tal teoria ficou confinada à Igreja Católica Romana, até que, em 1826, Samuel R. Maitland (1792-1866), que era bibliotecário de Canterbury, publicou um panfleto em que promovia a idéia de Ribera. 
Mas o que mais me incomodou com esta doutrina não é sua origem, mas os seus efeitos colaterais. Até o seu surgimento, os cristãos estavam engajados na transformação do mundo. Grandes nomes da ciência eram cristãos devotos. Universidades como Havard, Princeton, Oxford, foram fundadas sob a égide dos ideais do Reino de Deus. O surgimento do Dispensacionalismo alimentou o processo de secularismo, fazendo com que os cristãos recuassem, e cedessem espaço aos céticos.
Antes fosse o carro ou o avião que ficasse desgovernado em caso de arrebatamento. Em vez disso, o que ficou desgovernado foi o Mundo. A Igreja deixou de ser o sal da terra, a luz do mundo, para tornar-se numa sub-cultura, num gueto religioso. O que muitos cristãos contemporâneos parecem ignorar é que cada passo que a igreja dá pra trás, é espaço que ela cede a Satanás. Não seria esta uma maneira de "dar lugar ao diabo" (Ef.4:27)?
Se antes a Ciência era praticada por cristãos convictos, hoje está nas mãos dos ateus. Pra quê fazer ciência, se o mundo está prestes a acabar? Por que nos envolver com questãos como preservação ambiental, justiça social, ética, se as coisas têm mesmo que piorar para apressar a volta iminente de Jesus? De onde tiraram esta conclusão, se "a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito"(Pv.4:18)? 
Recuso-me a crer que Cristo virá ao encontro de uma igreja acovardada, que não terá concluído a Grande Comissão, tampouco terá sido luz do mundo e sal da terra (Mt.5:14). Recuso-me a crer que o mesmo Jesus que pediu ao Pai para que não nos tirasse do mundo, agora mudou de idéia e vem para nos raptar (Jo.17:15).
A febre dispensacionalista alcançou um novo apogeu recentemente com o lançamento da série “Deixados para trás”, de Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins (Acho que a série deveria se chamar “Passados para trás”).
Pregadores bradam de seus púlpitos: “Somos a última geração! A geração do arrebatamento!” Mas se contradizem quando gastam milhões na construção de catedrais suntuosas. Imagino o que pensam nossos filhos quando afirmamos que somos a geração final. Com isso, nós os privamos de qualquer perspectiva de futuro. Prefiro ficar com o salmista, e declarar: "A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor às gerações futuras" (Sl.22:30-31).
Encruzando os braços, os cristãos estão entregando o mundo às baratas. Desistindo de lutar pelas próximas gerações. Isso sim é que podemos chamar de alienação.
Se os leitores da Bíblia comentada por Scofield deixassem de dar crédito àquilo que está em seu rodapé, e começassem a ler mais o conteúdo das Escrituras, talvez houvesse uma revolução. O problema é que estamos condicionados a uma leitura, e qualquer um que faça uma leitura diferente é logo tachado de herege. 
Por desconhecerem a história, ignoram que muitos dos escritores cristãos aclamados também esboçavam uma escatologia esperançosa quanto ao futuro do Mundo. Gente como Spurgeon, Whitefield, Wesley, Calvino, Lutero, Lloyd-Jones, Jonathan Edwards, os puritanos, e tantos outros, criam no avanço do Evangelho e na eventual conversão das nações a Cristo (Leia Salmo 22:27-28). Era a isso que chamavam “avivamento”. 
Aos vidrados em teorias de conspiração devo informar que vocês estão sendo vítimas da maior de todas elas. Esqueçam “Deixados pra trás”! Olhem para Cristo, o Cavaleiro Fiel e Verdadeiro, que saiu “vencendo e pra vencer”
Um dos cânticos mais cantados pelos cristãos ao redor do mundo foi composto por alguém que tinha esta esperança. Ele diz:
Já refulge a glória eterna,
De Jesus, o rei dos reis;
Breve os reinos deste mundo,
Seguirão as Suas leis;
Os sinais da sua vinda,
Mais se mostram cada vez;
Vencendo vem Jesus!
Glória, glória, aleluia (3x),
Vencendo vem Jesus!
O clarim que chama as crentes,
A batalha já soou;
Cristo, à frente do seu povo,
Multidões já conquistou;
O inimigo em retirada,
Seu furor patenteou;
Vencendo vem, Jesus!
E por fim entronizado,
As nações há de julgar;
Todos grandes e pequenos,
O juiz hão de encarar;
E os remidos triunfantes,
Em fulgor hão de cantar:
Vencendo vem Jesus!

Sinceramente? Prefiro este hino àquele que estimula os crentes à irresponsabilidade com o futuro da Terra.
Recomendo que os leitores deste blog busquem comparar o sistema dispensacionalista com outros sistemas de intepretação da Escatologia Bíblica. Vocês se surpreenderão.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Livro de Tiago.

Livro de Tiago

O autor desta epístola (carta) é Tiago, também chamado de Tiago, o Justo, o qual acredita-se ter sido o irmão de Jesus Cristo (Mateus 13:55, Marcos 6:3). Tiago não se converteu (João 7:3-5) até depois da ressurreição (Atos 1:14, 1 Coríntios 15:7, Gálatas 1:19). Ele se tornou o chefe da Igreja de Jerusalém e é mencionado em primeiro lugar como um dos pilares da igreja (Gálatas 2:9).

O livro de Tiago é provavelmente o mais antigo livro do Novo Testamento, escrito talvez em 45 dC, antes do primeiro concílio de Jerusalém em 50 dC. Tiago foi martirizado em aproximadamente 62 dC, segundo o historiador Flávio Josefo.

Alguns acham que esta carta foi escrita em resposta a uma interpretação excessivamente zelosa do ensino de Paulo sobre a fé. Essa visão extrema, chamada de antinomismo, sustentava que através da fé em Cristo é possível estar completamente livre de todas as leis do Antigo Testamento, todo o legalismo, toda a lei secular e toda a moralidade de uma sociedade.

O livro de Tiago se dirige aos cristãos judeus dispersos entre todas as nações (Tiago 1:1). Martinho Lutero, o qual detestava esta carta e a chamava de "epístola de palha", não conseguiu reconhecer que o ensino de Tiago sobre as obras complementava – e não contradizia – o ensino de Paulo sobre a fé.

Embora os ensinamentos paulinos se concentrem em nossa justificação com Deus, os ensinamentos de Tiago concentram-se nas obras que exemplificam essa justificação. Tiago escreveu aos judeus para incentivá-los a continuar crescendo nesta nova fé cristã.

Tiago destaca que as boas ações fluirão naturalmente daqueles que estão cheios do Espírito e questiona se alguém pode ou não ter uma fé salvadora se os frutos do espírito não puderem ser observados, assim como Paulo descreve em Gálatas 5:22-23.

Versículos-chave: Tiago 1:2-3: "Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança."

Tiago 1:19: "Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se."

Tiago 2:17-18: "Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras.”

Tiago 3:5: "Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha."

Tiago 5:16b: "A oração de um justo é poderosa e eficaz.”

O livro de Tiago busca caminhar na fé através da religião verdadeira (1:1-27), da fé genuína (2:1 - 3:12) e da sabedoria genuína (3:13-5:20). Este livro contém um notável paralelismo com o Sermão da Montanha de Jesus em Mateus 5-7.

Tiago começa no primeiro capítulo descrevendo os traços gerais do caminhar na fé. No capítulo dois e no início do capítulo três, ele discute a justiça social e faz um discurso sobre a fé em ação. Ele então compara e contrasta a diferença entre a sabedoria terrena e a que provém do alto e nos encoraja a afastar-nos do mal e a nos aproximarmos de Deus.

Tiago faz uma repreensão particularmente severa aos ricos que acumulam e aqueles que são auto-suficientes. Finalmente, ele termina encorajando os crentes a serem pacientes no sofrimento, orando e cuidando uns dos outros e reforçando a nossa fé através da comunhão.

O livro de Tiago é a descrição principal da relação entre fé e obras. Os judeus cristãos (os recipientes da carta de Tiago) estavam tão arraigados na Lei Mosaica e no seu sistema de obras que Tiago dedicou muito tempo para explicar a difícil verdade de que ninguém é justificado pelas obras da lei (Gálatas 2:16).

Ele declara-lhes que, mesmo se muito se esforçarem para manter todas as diferentes leis e rituais, cumprir essa tarefa é impossível e transgredir a menor parte da lei os tornava culpados de toda ela (Tiago 2:10) porque a lei é uma entidade e quebrar uma parte dela é o mesmo que quebrá-la por completo.

Vemos no livro de Tiago um desafio aos seguidores fiéis de Jesus Cristo para não apenas "falar a fala", mas "andar a fala". Embora a nossa caminhada de fé, com certeza, exija um crescimento do conhecimento sobre a Palavra, Tiago nos exorta a não parar por aí.

Muitos cristãos acharão que esta epístola seja bem desafiante porque Tiago apresenta 60 obrigações em apenas 108 versículos. Ele se concentra nas verdades das palavras de Jesus no Sermão da Montanha e motiva-nos a agir de acordo com o que Ele ensinou.

A epístola também descarta a ideia de que alguém pode se tornar um cristão e ainda continuar vivendo no pecado, não exibindo nenhum fruto da justiça. Tal "fé", declara Tiago, é compartilhada pelos demônios que "creem e tremem" (Tiago 2:19).

Entretanto, tal "fé" não pode salvar porque não é autenticada pelas obras que sempre acompanham a verdadeira fé salvadora (Efésios 2:10). As boas obras não são a causa de salvação, mas são o seu resultado.